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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Bolinho de arroz

Você conhece a Ana Paula? Eu nunca a vi, mas conversamos feito velhas comadres que à partir do momento que encontraram pontos em comum vão “tricotando” histórias, criando laços afetivos e trocando receitas.

E foi ela quem enviou a receita de hoje. Ela pode não ser elegante, bonita, agradável e serena como a Rita Lobo (palavras suas) mas suas crônicas são saborosas e esta receita ela não conta para ninguém.

 

Ingredientes

3 xícara (chá) de arroz branco cozido
1 cebola
1/2 cenoura
1/4 xícara (chá) salsinha e cebolinha picadas
2 colheres (sopa) de azeite
3 ovos
4 colheres (sopa) de amido de milho
1/2 xícaras (chá) de queijo parmesão ralado
sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
óleo para untar a frigideira

Modo de Preparo

1. Descasque, corte ao meio e fatie a cebola em meias-luas (não muito finas).

2. Leve ao fogo baixo uma frigideira média (de preferência antiaderente). Regue com 2 colheres (sopa) de azeite e junte a cebola. Tempere com uma pitada de sal e deixe cozinhar por cerca de 15 minutos, mexendo de vez em quando, até dourar.

3. Enquanto isso, prepare os outros ingredientes: lave, descasque e passe a cenoura pela parte grossa do ralador; lave e seque a salsinha e a cebolinha. Pique fino a salsinha e corte a cebolinha em fatias médias.

4. Transfira as cebolas douradas para uma tigela grande, junte o arroz cozido e misture.

5. Aumente o fogo para médio, regue com mais um fio de azeite e acrescente a cenoura. Refogue por cerca de 2 minutos e junte a salsinha e a cebolinha. Desligue o fogo, junte ao arroz e misture bem.

6. Acrescente o queijo ralado, prove e tempere com sal e pimenta-do-reino. Adicione os ovos e, por último, misture bem o amido de milho.

7. Passe um papel toalha para limpar a frigideira e leve ao fogo médio. Quando aquecer, regue com óleo para cobrir todo o fundo. Adicione duas colheradas da mistura de arroz e achate levemente com as costas da colher (no formato de um hambúrguer) - faça de 1 a 2 bolinhos por vez, deixando espaço entre cada um para não grudar.

8. Deixe cozinhar por cerca de 2 minutos e vire com uma espátula para dourar o outro lado por igual. Transfira os bolinhos prontos para uma travessa e repita com toda a mistura de arroz (se necessário regue a frigideira com mais óleo). Sirva os bolinhos ainda quentes.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Moqueca de Ovo da Tina

Comer na Bahia é uma festa de cores e sabores.

É sempre um ritual, com oferendas para os orixás.

A culinária baiana reúne as receitas milenares dos indígenas, a rusticidade das senzalas dos escravos e o requinte da cozinha portuguesa.

E sempre vale a pena provar os gostos, os aromas e os temperos.

E foi de terras baianas que recebi a receita de hoje.

Quem mandou foi a Tina (http://blogdtina.blogspot.com.br/) e se você não conhece esta menina eu super recomendo uma visita no seu cantinho. Ela tem uma prosa muito boa e a sua receita é, segundo ela “ popular, caseira, regional, a meu modo, que nem sempre é o tradicional de explicar". E emenda que “as dúvidas ou alguma necessidade é só bater com uma colher de pau num fundo de panela”.



Moqueca de Ovo da Tina
Ingredientes e modo de preparo para devoração

Cortar muitas tirinhas de pimentão e cebola e arrumar no fundo de uma panela média com já picadinhos quadradinhos pequenos de calabresa comum ou paio e um pedacinho de carne de sertão (dispensável para quem não gosta) também picadinha miúda.

Regar com óleo e azeite doce e dourar em fogo baixo, desligar o fogo.

Numa vasilinha (tamanho de uma cx de margarina grande para uma panela média) colocar um alho machucado, extrato de tomate, uma colherinha de pimenta do reino, outra de cominho, outra de açafrão ou corante ou dispensar esse item, completar como d´água e tudo misturado colocar por entre os temperos da panela.

Picar um tomate e espalhar por cima e assentar alguns camarões secos

Regar com um fio generoso de azeite de dendê (a depender do tamanho da panela e do gosto por dendê, dois fios).

Picar e colocar por cima coentro, salsa e cebolinha, colocar a medida de outra vasilha do mesmo tamanho de extrato, água e sal a gosto.

Ligar o fogo de novo baixinho e quando levantar fervura colocar ovos estrelados por cima, que preencham toda a cobertura da panela, deixar o fogo baixinho e pegar o caldinho e ir regando as gemas dos ovos, para que elas não fiquem cruas tampar a panela e deixar um espacinho para fumaça subir e o caldo secar, desligar o fogo, dar um tempo de curtir o aroma e depois o sabor.

Como com arroz e farinha, tem quem faz pirão.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Filé de peixe ao forno

Vocês já perceberam que a pessoa gosta muito de receitas sem que seja preciso determinar a quantidade. O tamanho da sua receita depende do número de pessoas que serão servidas, da fome de cada um e se você vai servir algum aperitivo antes da refeição. Além disto, ao executar as receitas desta forma a sua mão vai “pegando o jeito” e se você não tem muita experiência na cozinha vai poder experimentar o seu jeito de fazer. Confie em você e acredite que a receita vai ficar muito saborosa.

A receita de hoje é de filé de peixe ao forno. Leve, saborosa e, se sobrar, ainda vira uma sopa cremosa de peixe.

Ingredientes

- Filé de peixe (eu sempre uso surubim porque morando longe do mar este é o peixe mais fresco que encontro por aqui)
- Batatas
- Manteiga
- Requeijão cremoso (copo)
- Creme de leite
- Sal
- Pimenta calabresa
- Salsa desidratada

Como fazer

Unte um pirex com manteiga. Coloque batatas fatiadas (o suficiente para cobrir o fundo). Coloque por cima os filés de peixe 



Tempere com sal, pimenta calabresa seca e salsa desidratada




Misture o creme de leite com o requeijão (em quantidades iguais) e coloque sobre os filés



Leve ao forno até dourar. Agora é só saborear.



Para tudo porque estou bege... A receita da Caçarola Mineira viajou até Portugal e a Isabel fez a gentileza de enviar a sua foto. E neste troca-troca de cozinheira vi que ela usou papel manteiga para forrar o tabuleiro. Vou experimentar, assim que eu emagrecer um pouco porque eu como sozinha uma receita destas. É irresistível.

Aproveita e visita o blog da Isabel. Ela faz coisas lindas.
http://1000projetus.blogspot.com.br/


E ela prometeu enviar uma receita de mãe. Vamos aguardar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A versátil

Tem mil anos de perdão quem rouba uma receita. E se ainda compartilha com outros, recebe uma indulgência especial.

A receita de hoje caiu nas minhas mãos trazida por uma funcionária que tive. Ela, durante anos trabalhou em uma padaria. Onde, a gulosa que escreve, sempre ia para comprar o melhor salgadinho da cidade. Um dia, veio trabalhar comigo e trouxe a receita. O resultado é que passei a utilizar sempre esta receita para fazer os salgadinhos do lanche do dia a dia.

Desconheço a razão do nome – Massa Síria. Mas ela rende muito e com ela você faz enroladinhos (com presunto e muçarela, frango desfiado, salsicha, bacalhau, carne moída). E pode também fazer esfiha.

Vamos lá?





Ingredientes
½ litro de leite
½ litro de água
4 tabletes de fermento fresco
Farinha

Misturar leite e água e levar ao fogo para amornar (temperatura de mamadeira)

Dissolver os tabletes de fermento e colocar um pouco de farinha. Deixar crescer em lugar abafado até formar bolhas.

Depois acrescentar:

4 ovos
2 xícaras de óleo
2 colheres de açúcar
1 pitada de sal
250 gramas de margarina
2 quilos de farinha

Misturar bem e acrescentar farinha até que a massa solte das mãos. Sovar bem. Deixar crescer, em lugar quente e seco até dobrar de volume.

Abrir e rechear. Pincelar com gema e levar para assar.

Importante: Sempre faça pequenas bolas com os retalhos da massa e deixe crescer novamente.

Para fazer as esfihas:

Recheio:

Carne moída, tomate picadinho (sem sementes), cebola, cheiro verde e margarina.

Amasse bem com as mãos, fazendo uma liga em todos os ingredientes. Tempere com sal e tempero sírio. Não coloque alho.

Faça pequenas bolas com a massa (do tamanho que deseja para a esfiha) e utilize toda a massa. Observe que as bolinhas vão crescer novamente. Abra, recheie e faça as esfiha no formato desejado.

E eu estou esperando a sua receita. É só mandar (beatrizbernardes@gmail.com) a foto com a receita ou o link onde ela foi publicada.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cardápio

Dia corrido, sem tempo para chegar e elaborar o post do dia.

Mas deixo para você um cardápio super especial para você usar o ano todo.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Frescurinhas

Gosto do belo. Gosto da harmonia das cores e dos objetos. Procuro sempre fazer em volta de mim um círculo da energia positiva que o belo nos dá.

É fácil trazer a alegria, humor e felicidade para a nossa vida. Para isto, basta que sejamos alegres, bem humorados e que consigamos trazer o belo para perto de nós.

Ontem foi o primeiro dia das aulas de bordado e eu era a responsável pelo lanche. Na mesa, as mesmas coisinhas que fazem parte do café – pão, biscoitos, bolo, presunto e queijo, café.

E com pequenos detalhes, o que era muito simples se transformou numa bela mesa onde os convidados estavam felizes, envoltos pela atmosfera do belo.

Como lembrancinhas, ofereci leques para amenizar o calor. E este presente, na nossa idade, é um verdadeiro atestado de menopausa. Não importa, somos felizes.

Hoje o post é sem receita, mas com uma dica valiosa: traga o belo para a sua vida.







quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Caçarola Mineira

Domingo era dia de visitar o avô. Ele ficou viúvo muito cedo e não se casou novamente. Morava sozinho, ao lado da casa da sua filha mais velha, que dele cuidava.

Ranzinza, ficava por horas curtindo um grande pedaço de couro e dele fazia cabos para chicotes. Sempre tive a impressão de que um dia a chicotada seria direcionada para um de seus netos. Nunca foi, era só preconceito. E conversava pouco.

Mas tínhamos a nossa recompensa. A tia abria os armários e lá sempre encontrávamos latas com biscoitos que ela mesmo preparava. Errava às vezes a receita e ficávamos por horas roendo uns biscoitos duros e sem graça.

E tinha a venda do Chiquinho. Para quem não conhece, a “venda” são pequenos espaços onde encontramos de tudo. Secos e molhados. Para pessoas e para animais. Tudo vendido à granel, de acordo com o freguês. E depois de atendidos em um balcão de madeira já ensebado pelos cotovelos dos clientes por anos à fio, nossa compra era anotada na caderneta.

Diante de tanta variedade, minha boca salivava quando via expostos os pedaços de caçarola. A caçarola deve ser prima do pudim e eu conheço a Caçarola Italiana (que pode também levar coco) e a Caçarola Mineira (feita somente com queijo).

Tenho feito muito esta receita e ela fica mais saborosa quando servida ainda morna, sem ir à geladeira. Vamos fazer?
  


Ingredientes:
½ litro de leite morno
13 colheres (sopa) de açúcar
5 colheres (sopa) de farinha
2 ovos
2 colheres (sopa) de manteiga derretida
5 colheres (sopa) de parmesão

Modo de preparo:
Derreta a manteiga e unte uma forma para pudim. Coloque o que sobrou depois de untar no liquidificador junto com os outros ingredientes. Bata tudo e leve ao forno preaquecido por mais ou menos 50 minutos até dourar.

Gostou? Eu estou esperando a sua receita. Mande para beatrizbernardes@gmail.com e será um prazer conhecer o sabor da sua cozinha.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Bolo de Flocão

O que fazer quando o seu provedor falha e você fica o dia inteiro sem internet e sem telefone (é o maldito combo que derruba tudo ao mesmo tempo)?

Como neste país tudo falta - água, luz, promessas cumpridas, vergonha na cara ficamos sem saber onde reclamar, 

E só agora consigo postar a Receita de Quinta.

Que vem das Minas Gerais e foi enviada pela Maria das Graças Salvador Araújo.

Agradeço a sua participação e estou aqui, à espera de receitas de todas vocês.



Ficou com água na boca?

A receita está aqui

http://lardela.blogspot.com.br/2014/05/bolo-de-flocao.html

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Preciso da sua ajuda



Estou à procura de parceiros.

Homem ou mulher, não importa.

Eu apenas preciso de alguém que possa caminhar comigo.

Que queira dividir comigo este espaço.

Sei que com esta divisão vamos aprender a somar e multiplicar.

Quinta-feira é dia de Receita de Quinta. Mas a cozinha meio que saiu do meu roteiro e pouca coisa tenho feito. E assim, o tema vai ficando cada dia mais comum. Sem novidades.

E que tal você ter a sua receita publicada aqui? São tantas as visitas, de tantos lugares e acho maravilhoso poder conhecer os temperos e os sabores de outras terras.

Quer participar? É simples: mande uma foto e a sua receita. E se você tem um blog, mande o link para que possamos trocar ideias.

Meu e-mail é beatrizbernardes@gmail.com

Estou esperando por você.

Obs: a ilustração é de Monica Crema. Procure no Google para se encantar com ela.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Kibe cru


Tenho um grande respeito pela cozinha típica de cada país ou região. Acredito que somente as mãos que carregam a tradição - por vezes secular - sabem o ponto exato, o tempero correto e o sabor de cada refeição.

Mas a pessoa é atrevida e como ama muito a comida árabe eu fiz Kibe cru e a receita é do restaurante Arábia (SP),

Vamos lá?


INGREDIENTES

1kg de carne bovina (patinho), sem nervos e sem gordura, cortada em cubos e passada pelo moedor de carne
1 xícara de trigo fino claro
2 tomates bem vermelhos, sem sementes e cortados em quatro pedaços
2 cebolas médias cortadas em quatro
6 pedras de gelo (mais ou menos)
1 punhado de sal a gosto
1 maço de hortelã fresca (para decorar)
1 galho de cebolinha (para decorar)
1 punhado de pimenta-síria ou cominho moído ou pimenta do reino em pó (opcional)


MODO DE PREPARO

Lave bem o trigo e deixe de molho na água por cerca de dez minutos. Escorra com as mãos, espremendo bem, para retirar toda a água. Junte o trigo à carne com o gelo, o tomate, o sal e os temperos (opcional) e moa tudo junto novamente. Misture bem com as mãos, para que fique homogêneo. Coloque em uma travessa e decore com ramos de hortelã fresca, cebola e cebolinha verde.



Dicas para escolher bem os ingredientes

· Um trigo fino de boa qualidade, de sabor mais delicado

· Ramos de hortelã bem fresca. Ela murcha rapidamente, então tire da geladeira apenas na hora de servir

· Prefira a parte central do patinho, bem limpo e moído em casa, imediatamente antes de servir. Moída no açougue, a carne perde frescor e fica escura

· Armazene a carne no congelador por cerca de 15 minutos

· Não deixe o trigo de molho por mais de dez minutos

· Coloque as pedras de gelo na carne antes de misturá-la ao trigo


Para comer

· Abra o montinho de carne com o garfo, espalhe pelo prato e amasse para ficar uma camada fina

· Com a mão, pegue brotos de hortelã e rasgue em cima da carne

· Cubra com a cebola picadinha (a chef sugere também cebolinha)

· Regue com um bom azeite

· Salpique o tempero especial de pimenta-síria

· Pegue um pedaço de pão árabe, envolva um pouquinho do quibe com seus temperos e coma

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Molho para salada

Quem já está na terceira idade (como esta que escreve por aqui) sabe bem como oscila a cotação dos alimentos e não é apenas no preço das gondolas do supermercado.

Alimentos são glorificados ou recebem a condenação do fogo do inferno porque não devem mais frequentar o fogo dos nossos fogões.

O vilão da vez é o glúten. É verdade que ele pode ser prejudicial ao organismo daqueles que sofrem de doença celíaca ou que têm intolerância ao glúten. Hoje, o ataque que sofre é consequência da proliferação das dietas desintoxicantes. O ovo até já mandou um recadinho: “Fica quieto que esta onda um dia vai passar”.

Um dos queridinhos da vez é o gengibre. Confesso que só o conhecia como um dos ingredientes do “quentão”, bebida das festas juninas por estas Minas Gerais.

Mas os cientistas identificam neste vegetal múltiplos benefícios terapêuticos porque favorece o sistema digestivo, respiratório e circulatório. Também é reconhecido como alimento termogênico, capaz de acelerar o metabolismo e favorecer a queima de gordura corporal.

Como já dizia minha vó “Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém” nós vamos experimentando novas formas de consumir o gengibre e na receita de hoje ele vai incrementar um molho para servir com uma saladinha de repolho (vale a pena experimentar também com outros vegetais).


Tem receita com quantidades e prontinha para você seguir? Claro que não... A cozinheira tem que calcular o número de pessoas na casa e colocar o seu tempero preferido .... ops, a sua alma.

Vamos, anime-se porque é muito fácil - ele fica com a consistência de um pesto (aquele molho italiano feito com manjericão).

Como fazer:
Em um liquidificador (olha aí o meu queridinho novamente) coloque para triturar:

Amendoim torrado
Algumas gotas de shoyo
Lascas de gengibre
Azeite

Bater até que todos os ingredientes estejam incorporados ao azeite.

Pode guardar na geladeira por vários dias.

Um pedido: se fez, conta para mim?

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Pizza

Usamos muito a expressão “acabar em pizza” e quase sempre está relacionada a um fato político.

Pesquisando sobre a origem desta expressão descobri que ela surgiu após uma calorosa discussão entre diretores do clube do Palmeiras, em São Paulo. Quando terminou a reunião, como se não houvesse acontecido nada, todos foram comer uma pizza e ficou tudo como dantes..

Assim é este país. Acostumados a enxergar apenas 1 palmo à frente do nosso umbigo, se não somos incomodados, se não pisam nos nossos calos, deixamos para lá.

O ouvido parece que fica debaixo do braço. Se o assunto não nos diz respeito, ignoramos solenemente o que o outro está dizendo.

Jornais e revistas estão presentes na casa de poucos. Portanto, informação não chega a todos.

É uma minoria que tem consciência do que é viver em uma comunidade, quais são os nossos direitos e deveres e que todos nós somos responsáveis pelos nossos atos.

Mas vejo crescer, felizmente, um movimento disposto a dar um basta a isto tudo. Chega de somente ficar criticando e exibindo a nossa indignação. Para sermos justos é preciso que até mesmo nossos pequenos (serão pequenos?) desvios sejam encarados.

O bueiro entupiu? Lembra-se da última vez que jogou aquele saco plástico pela janela do carro? Ou a latinha de refrigerante?

Temos falta de a água? E você acha normal continuar lavando a sua calçada?

O trânsito está ruim? E qual o problema em parar em fila dupla – só um minutinho – para pegar a criança no colégio ou tirar dinheiro no caixa eletrônico?

Assim, exercitando pequenos atos de respeito que inocentemente achamos que não vai contaminar todo o país, vamos cobrar retidão daqueles que nos governam.

Honra, decência, respeito ao bem público não são qualidades desejadas. São valores que devem fazer parte da nossa personalidade e que devem ser o norte das nossas vidas.

Por isto, pizza por aqui só na cozinha. A receita de hoje veio do blog Ora, Pitangas e eu vou só variando o recheio. Rende muito (é uma pizza enorme) e fica deliciosa.

Vamos lá?


Ingredientes

3 e 1/4 de xícara de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento granulado seco
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de chá de sal
Aproximadamente 1 e 2/3 de xícaras de agua morna (ou soro)
2 colheres de azeite de oliva

Coloque todos os secos em uma bacia, junte o azeite, misture com uma espátula tipo pão duro, e vá colocando água ou até agregar e desprender da lateral da bacia, fica uma massa pegajosa, cubra e deixe descansar por 1 hora.

Depois deste tempo, unte uma assadeira com azeite e despeje a massa, aguarde uns 10 minutos até a massa relaxar um pouco, unte as mãos e espalhe a massa. Faça furos com os dedos e espalhe a cobertura.


Recheio

Fatiar a cebola temperar com orégano, manjericão, pimenta calabresa, alecrim e alho desidratado, reservar.

Espalhar um camada bem fina de molho de tomates 

Espalhar salaminho italiano (pode usar calabresa processada) 

Por último colocar as cebolas temperadas, regar com azeite e assar em forno médio

E prontinha para saborear


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Saladinhas para refrescar

Estamos vivendo tempos de estiagem e seca. No sudeste encontramos paisagens semelhantes a que sempre vimos no Nordeste. Experimentamos as dificuldades provocadas pela falta de água.

O homem chegou, desfez a natureza e até mesmo o São Francisco secou. E a profecia do beato não se realizou: “o sertão vai virar mar”, mas o seu medo se materializou “o mar também vire sertão”.

Dias assim pedem saladas. Fáceis, práticas e saborosas.


Batatas cozidas, bacalhau dessalgado e aferventado e azeitonas pretas. Regue com azeite (os ingredientes devem estar quentes). Junte salsinha desidratada, corrija o tempero. Leve para gelar.


Tomate cereja, muçarela de búfala, cogumelos, azeitonas verdes  recheadas, salsinha desidratada e manjericão. Regue com azeite e tempere a gosto.


Folhas verdes, cubos de queijo prato, tomate cereja, rúcula, damascos. Regue com azeite e tempere a gosto.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O azeite

Tô sumida, não é? Um Bom Dia, todo dia e não consigo chegar até aqui.

É que não quero escrever. Não quero buscar imagens bonitas. Minha linha do tempo no Facebook está transbordando de mensagens agressivas e perfis falsos.

As pessoas não percebem que ao defender alguém atacando o outro ficam niveladas. Iguais.

O outro é essencial na minha vida. Eu posso não concordar com ele. Eu posso não comungar com as suas ideias e conceitos. Eu posso não beber da mesma água.

Mas ele é o meu parâmetro. Ele me faz ficar melhor. Ele me faz querer aprender e buscar o saber.

Se as urnas cuspiram um resultado que você não queria, resta aceitar.

Não posso culpar o eleitor que escolheu o palhaço ou o homofóbico. Quando utilizo a mesma moeda como resposta estou usando o mesmo ódio e preconceito. Não é a minha escolha mas tenho que reconhecer o direito do outro para fazer a sua escolha.

Livre arbítrio. Livre escolha. Respeito pela decisão tomada. Assim como eu quero que a minha decisão seja respeitada. Convivendo lado a lado dando ao outro o que temos de melhor.

Semelhante ao azeite. Produzido à partir da azeitona, fruto da oliveira que desde a antiguidade é considerada símbolo de sabedoria, paz, abundância e glória para os povos.

Na Bíblia o azeite é utilizado como símbolo da presença do Espírito Santo.

Quando as águas do dilúvio cessaram e a arca ainda navegava sobre as águas, o patriarca Noé soltou uma pomba que retornou trazendo um ramo de oliveira.

Na cozinha ele dá ao alimento um sabor e aroma peculiares.

A “não receita de hoje” (porque não tem quantidades específicas), mostra como podemos usar o azeite para fazer uma entrada saborosa para um jantar.

Basta juntar ao azeite pequenas porções de pimenta calabresa, ou aliche, ou zattar (utilizado na comida árabe), alho frito, ervas aromáticas e o que mais tiver em casa. Eles não se misturam, mas um fornece ao outro o seu sabor.

Pães variados e uma taça de vinho completam o cardápio.

E uma boa prosa. De preferência sobre política. Aquele política que prioriza o cidadão. Porque eu acredito que somente participando ativamente podemos mudar este país. E aprender a viver com sabedoria e paz.



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Você faz crochê?

Hoje acompanhei, no Facebook, uma discussão muito interessante, que representa bem estes nossos tempos.

Alguém comentou que achava muito lindo ver, cedinho ainda, muitas mulheres idosas voltando da academia. E que esta era uma nova forma de encarar o mundo, mais ligadas que estão ao fitness do que às agulhas de crochê. E entre kkkkk e rsrsrsrs faziam questionamento “elas ainda fazem crochê?” Outra dizia “minha vó faz”... e assim por diante.

E fiquei aqui pensando como mudou o perfil feminino nas últimas décadas. Não vou entrar no mérito das grandes conquistas – sim, todas válidas e necessárias.

Vou falar um pouco sobre a identidade feminina. Para construir esta identidade as mulheres jovens de hoje em dia (não vamos generalizar, mas elas são maioria), tiveram que renegar tudo o que estivesse – obrigatoriamente – ligado ao universo feminino.

Jogaram – porque varrer também não pode – tudo em um grande fosso: cozinhar, bordar, fazer crochê ou tricô, cuidar de uma casa, trocar receita com as amigas, passar roupa, gostar de comprar um lençol novo para a sua casa, costurar... tudo isto passou a ser horrível e não deveria ser feito.

Hoje os seus ideais são aqueles que a sociedade de consumo prioriza. Falam várias línguas mas são incapazes de compreender o que o seu filho diz.

Se submetem à cirurgias perigosas para exibir o corpo que a modelo (que foi abençoada pela natureza) exibe nas capas de revista.

Ficaram mais masculinas, sem que isto signifique absorver o que o sexo masculino tem para nos ensinar.

Perderam a diferença que nos tornava especiais.

No meu primeiro dia de curso de pós-graduação o professor entregou a cada aluno uma folha onde ele teria que identificar as características de cada aluno. E trazia uma série de opções, tais como: quem tem cachorro, quem é casado, quem tem filhos, quem pratica esporte, etc.etc.etc. E, de repente, me vi cercada por 40 jovens, todos com idade para serem meus filhos, porque era preciso identificar “quem sabe fazer crochê?” Fui selecionada pela idade. E todos acertaram a resposta: sim, ela faz crochê.

Para finalizar as historinhas de hoje: apesar de ter ficado longe dos bancos escolares por mais de 25 anos eu me dei muito bem no curso. Primeiro, porque sempre acreditei e acredito que é preciso aprender para não morrer e me dediquei muito aos estudos. Segundo: eu podia não conhecer todas as teorias modernas de marketing mas eu vivi todas as histórias que serviam de exemplo – Mappin, Lojas Brasileiras, Arapuã, Mesbla, Rede Tupi, Transbrasil, Varig, Vasp.

E como sou mulher das antigas, que sei quebrar o coco sem arrebentar a sapucaia, apresento a receita de hoje. Ideal para a hora do lanche, este pão aceita vários tipos de recheio, como presunto ou frango.

É rápido de fazer pois não precisa esperar crescer. É amassar, enrolar, assar e comer. Assim sobra mais tempo para fazer crochê. E bordar. E cuidar da casa e de mim. E ser uma empresária, como sou.






Pão Italiano

Ingredientes
30 gramas de fermento fresco
1 copo (requeijão) de leite morno
1 xícara de óleo
3 ovos
1 cubo de caldo de galinha
Farinha de trigo – mais ou menos 1 ½ kg

Bater no liquidificador. Despejar em uma bacia e colocar farinha de trigo até a massa soltar de sua mão. Abrir em uma superfície polvilhada com farinha. Rechear e enrolar. Misturar gema com um pouquinho de leite e passar sobre os pães. Leve para assar em forno quente.

Recheio:
150 gramas de presunto
200 gramas de muçarela
3 tomates sem sementes
½ pimentão verde
Orégano

Picar e misturar todos os ingredientes

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Bolo sem farinha

Quando menina, fazíamos muitas vezes a viagem entre a cidade onde nós morávamos (terra do meu pai) à cidade onde minha mãe nasceu e tinha a sua família.

Hoje é um percurso de pouco mais de 1 hora mas naquele tempo de estrada de chão era um longo caminho, percorrido em muitas horas e que rendeu muitas histórias (todos passavam mal e o estomago não suportava as curvas da estrada, perdemos o sapato que seria usado na festa, as mulheres que não tinham coragem de abrir a porta da sua casa para nos atender, como era fazer xixi atrás das moitas, cantar com o meu pai “Oh! Siriema do Mato Grosso”, dividir o espaço com um porco, a Nossa Sra. que assistiu o banho do meu pai...um dia vou contando).

Uma dessas histórias, que ficou bem marcada na memória, foi o dia que, junto conosco, viajava a irmã do meu pai. Doceira de mão cheia, gostava também de flores e jardins. Diante de uma casinha à beira da estrada pediu para parar porque ia pedir uma muda da flor que a encantou. A dona da casa, tímida e solícita, explicou que gostaria muito de atender o seu pedido mas no momento era impossível porque o doce que estava no fogo precisava de atenção. Caso contrário ele ia “desandar”. Isto acontece quando fazemos doce à base de leite e que ele precisa ser mexido constantemente.

Minha tia não teve dúvida. Pegou o avental, a colher de pau que a sra tinha nas mãos e lá se foi para a cozinha terminar o doce.

Enquanto isto, nós as crianças, aproveitávamos para respirar fundo e espantar o dragão que atormentava o nosso estômago e ameaçava despejar todo o almoço.

Ao sair, minha tia levava a flor desejada e uma nova receita de doce.

E posso confirmar que as receitas que mais fazem sucesso são aquelas que ganhamos de alguém. Foram experimentadas. Testadas. Aprovadas.

A receita de hoje também recebi de alguém. Estava hospedada em um hotel, comi o bolo de chocolate e fui até a cozinha pedir a receita para a cozinheira. Do livro, bem sujinho de tanto ser usado, eu copiei a receita de hoje.

Pode fazer. Já repeti a receita e ele é muito bom.


Bolo de chocolate sem farinha


6 ovos inteiros
100 gramas de coco ralado
6 colheres de sopa de chocolate em pó
8 colheres de sopa de açúcar refinado
1 colher de sopa de fermento em pó
100 gramas de margarina ou manteiga

Bater todos os ingredientes no liquidificador e assar em forma untada e polvilhada com farinha de trigo

Desenformar e cobrir com brigadeiro mole e chocolate granulado.

Simples assim. Fácim, fácim...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Pão tipo Subway

Fazer pão é muito simples. Basta juntar farinha, água e fermento.

É um instante mágico o momento do crescimento da massa. Um ambiente úmido e aquecido é tudo o que o fermento precisa para mostrar todo o seu potencial.

Ajuda bem se você tem disponível um marido musculoso para ajudar na hora do amasso – para sovar o pão, suas maldosas...

Quando resolvi voltar às origens e fazer o meu próprio pão encontrei o site Ora, Pitangas. A receita de hoje veio de lá – e outras trarei para vocês. Tudo o que já fiz dá super certo e eu recomendo.

Vamos lá?


Pão tipo Subway


Ingredientes:

2 e 1/2 colheres (chá) de fermento biológico granulado
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
3 e 1/2 xícaras de farinha de trigo
2 colheres (chá) de sal
1 e 1/4 xícaras (chá) de água morna
Queijo parmesão ralados (1 xícara mais ou menos)
Ervas finas secas ou orégano seco

Modo de fazer:

Em uma vasilha pequena, coloque a água morna e salpique o fermento por cima.

Deixe ficar por 5 minutos ou até começar a borbulhar. Misture o azeite de oliva.

Em uma vasilha grande, misture a farinha e o sal. Coloque a mistura de fermento por cima. Sove a massa até estar bem incorporada ( pode ser sovada na vasilha ou na superfície enfarinhada).

Pincele com azeite. a vasilha onde deixará a massa crescer

Coloque a massa, cubra com plástico ou pano limpo, e deixe crescer até que dobre de volume

Na superfície enfarinhada, divida a massa em três, e faça os pães, modelando em formato de pão para sanduíche.

Coloque na assadeira untada levemente com azeite.

Faça de 3 a 4 cortes em diagonal, em cada pão.

Deixe crescer por mais 1 hora, ou até que tenham dobrado de volume, cobertos com um pano de prato

Ligue o forno pra pré-aquecer.

Pincele os pães com gema de ovo misturada com um fio de azeite, e espalhe as ervas (ou o orégano) e o parmesão sobre os pães.

Leve ao forno pré-aquecido na temperatura alta e asse por 15 a 20 minutos, ou até estarem dourados.

Retire do forno, transfira pra uma grade e deixe esfriar.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O preferido

Depois de casada, durante um longo período, morei em uma casa.

Não tive filhos e marido viajava com frequência.

Era uma casa grande, com quintal e jardim.

Esta casa foi roubada algumas vezes. Oito vezes, para ser mais precisa. Felizmente, nunca estávamos em casa e, desde o primeiro roubo, nunca mais entrei em casa sem prestar atenção em tudo ao redor. Se estava tudo exatamente como deixei. Para perceber o menor sinal de que outra pessoa – sem ser convidada – deixou suas marcas por ali.

Tinha um lado bom: foi o período da minha vida em que todos os eletrodomésticos eram novinhos porque o seguro pagava por tudo. Videocassete (lembra-se dele?) vinha sempre com mais “cabeças”. A televisão? Sempre de última geração. Só ficavam velhinhos os que eles não conseguiam carregar, como geladeira e fogão. E esta farra acabou quando fomos para um apartamento.

O lado ruim: medo. Muito medo de qualquer barulho. Um barulho da janela que bate. Taquicardia, transpiração excessiva, um estado de alerta. Respiração acelerada. Músculos enrijecidos. Até descobrir que era o vento, que estava tudo bem.

Nestas horas, sempre acreditei que a melhor maneira de agir é se adiantar. Acendia as luzes todas e corria para a cozinha e ligava o liquidificador. No silêncio total da noite ele faz um barulho incrível e acordava até o cachorro, que nunca serviu para espantar ninguém (um dia ainda conto as histórias dele e do seu suicídio).

E foi assim que caí de amores pelo liquidificador.

Ele também me ensinou a preparar os primeiros bolos (veja aqui). Eu tinha muita dificuldade com as tais claras em neve e os meus bolos ficavam solados. Um horror... e iam diretamente para a lixeira.

Tenho sempre dois em casa: um deles apenas para suco. E o outro é “pau para toda obra”. Para lavar, uma dica: coloque um pouco de detergente e água. Ligue por alguns minutos e ele nem vai se lembrar mais do cheiro do que você preparou.

Mais vamos à receita de hoje? Hoje trouxemos a famosa Torta de Liquidificador. Esta massa é muito saborosa e o recheio você escolhe. Pode ser de frango, atum, palmito, cogumelos, calabresa e o que estiver “sobrando”. Ou tudo junto e misturado. Hoje eu fiz a de salsicha.

Tem também o suco de mamão. Meninas, vocês vão ver como ele é gostoso e simples de fazer. E pode tomar sem culpa porque não leva açúcar.

Torta de Liquidificador


Ingredientes da massa
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 ovo
1 envelope de sopa creme de cebola (ou de galinha)
2 colheres (sopa) de queijo ralado
1 xícaras (chá) de óleo
2 xícaras (chá) de leite
2 colheres (sopa) de fermento em pó.

Modo de fazer:
- Bater, no liquidificador, todos os ingredientes da massa

Ingredientes do Recheio
1 cebola média picada
3 tomates (sem sementes) picados
100 gramas de azeitonas picadas
2 colheres (sopa) de azeite
Orégano
Sal
Pimenta
Salsichas levemente aferventadas

Modo de fazer:
- Misturar os ingredientes e colocar por cima da massa.

Polvilhar queijo mussarela (que deveríamos escrever muçarela, mas acho muito feio) ralada e levar ao forno médio até dourar.


Uma dica: você quer preparar esta torta e servir no dia seguinte? Coloque para assar sem o queijo. No dia seguinte, quando for esquentar, polvilhe o queijo antes de levar ao forno. É que o queijo não derrete 2 vezes e desta forma ela vai ficar como se estivesse sido assada à pouco.

Suco de Mamão


Mais fácil é impossível. Basta levar ao liquidificador pedaços de mamão, suco Clight (é diet, sem açúcar) sabor tangerina e água. É bater e servir em seguida.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A panela suja

Olá,

Tô adorando esta vida de cozinheira e as conversinhas de comadre.

A carne de panela deu o que falar e antes de pegar aquela panela que ficou suja desde a semana passada...




... pode sentar que vamos esclarecer alguns pontos:

- Eu não corto a carne em pedaços porque assim eu estarei quebrando as fibras da carne e dificultando o seu cozimento porque ela fica mais dura. É por este mesmo motivo que não devemos “furar” a carne para introduzir temperos.

- Como não sou açougueiro de carteirinha ficou complicado explicar como se chama a maçã de peito em outras regiões (e até mesmo fora do país). É que os cortes são feitos de maneira diferente em cada estado do nosso país e em todo o mundo.

- Fiz uma pesquisa a respeito e ele também pode ser chamado de granito, posta gorda ou simplesmente peito. Podendo ainda ser chamado de pecho (espanhol), poitrine (francês) ou brisket (inglês).

- É um corte que possui músculos e fibras grossas e compridas, coberto com uma grossa camada de gordura de cor amarela que deve ser retirada na hora de servir.

- Quando cozinhamos a maçã de peito também sobra o caldo do cozimento da carne e depois de gelado ele vai separar a gordura. Basta jogar esta gordura fora e aproveitar o caldo no preparo de sopas ou temperar o feijão. Portanto, a carne fica saborosa e macia, mas não fica gordurosa.



Bora então pegar a panela que ficou suja?

Por aqui, chamamos isto de “borra” e você pode utilizar para preparar outros pratos.

Hoje apresento 3 sugestões:


Caldo de legumes:

Pique e cozinhe (na panela utilizada para a carne de panela) os legumes de sua preferência: mandioquinha, batata, cenoura, batata-doce. Podemos usar um pouco do caldo de cozimento da carne.



Quando estiver cozido acrescente repolho em tiras e cubinhos de mandioca (que ensinei a preparar aqui).



Verifique o sal e coloque os temperos de sua preferência. Os cubinhos de mandioca, depois de derretidos, vão deixar o caldo com uma consistência cremosa.




Caldinho de feijão



Cozinhe o feijão de sua preferência com folhas de louro.

Na panela (suja de borra de carne) frite bacon em pedacinhos, em fogo baixo para que ele libere a sua gordura. Reserve o bacon.

Na gordura quente, adicione cebola picadinha e refogue bem. Junte o feijão, tempere com sal e pimenta.

Ferva por mais ou menos 10 minutos. Deixe amornar e bata em um liquidificador (se gostar, pode colocar um pouquinho de orégano. Coloque em copinhos, polvilhe com o bacon e sirva. Pode colocar também com cheiro verde bem picadinho.


Farofa



Na panela (suja de borra de carne) coloque um pouco de manteiga e frite pedacinhos de bacon. Depois acrescente a cebola picadinha. Quando elas ficarem transparentes acrescente tomate (sem sementes) picadinhos, pimentão picadinho. Tempere com caldo de galinha (sempre prefiro o de galinha porque é mais suave). 

Depois coloque a farinha de mandioca, mexendo delicadamente. Se necessário, coloque mais um pouquinho de manteiga.

Existe uma grande diversidade entre os tipos de farinha de mandioca no país e qualquer uma pode ser utilizada. Eu prefiro a farinha de mandioca branca fina, que é produzida na Bahia.


E o que resta? A borra temperou o alimento que preparamos e sobra uma panela limpinha, fácil de lavar.

Na próxima semana vamos aprender como um eletrodoméstico pode ser muito útil em nossa cozinha e também utilizado para espantar o nosso medo e prováveis ladrões... Tchan Tchan Tchan Tchaaaaaan...

Completando:
Aqui já ensinei a fazer Péla égua, que também utiliza uma panela suja de restos de carne.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Carne de panela


Não se sabe ao certo a origem deste prato mas podemos dizer que faz parte da culinária brasileira. A receita é simples. Prática e saborosa traz na lembrança a cozinha da vovó ou da mãe.

O que não é o meu caso. A carne de panela não fez parte da minha infância porque minha vó, mulher das letras e da fé entrava na cozinha quando a refeição estava servida. Minha mãe tinha a “mão de tempero” mas não comia carne de boi. Na minha infância, somente carne de porco, frango ou peixe – este estava presente em raras ocasiões e até hoje tenho um pouco de dificuldade em acertar no seu preparo.

Eu aprendi a apreciar foi com o marido. Frequentando os botequins destas Minas Gerais, ele que é muito carnívoro, sempre pedia a carne de panela e que geralmente vem acompanhada de mandioca cozida ou frita, batatas, pão, farofa ou algum tipo de salada.

A carne de panela está perfeita quando ela vai desfiando e praticamente não é necessário usarmos a faca porque ela está macia e suculenta. Um dia, não resisti e pedi a receita ao dono do bar que sempre frequentávamos porque a que comíamos ali era, sem dúvida, a melhor de todas.

Mas deixando o “trololó” de lado vamos à receita de quinta.

Se você fizer uma consulta nos seus livros de receita ou na internet vai descobrir que vários tipos de corte de carne são utilizados no seu preparo. E que ela é feita na panela de pressão. E que a carne é cortada em cubos e temperada antes de dourar.

Nananinanão... eu aprendi de forma diferente e recomendo.

Eu só uso a maçã do peito. Ela tem uma capa de gordura que é essencial para um bom resultado final.

Escolha um bom pedaço e deixe-o inteiro. Não tempere a carne.

Numa panela, coloque uma porção generosa de óleo e leve ao fogo para esquentar. Doure a carne dos dois lados.

Desligue o fogo, deixe esfriar e coloque água quente até cobrir a carne. Se você colocar a água com o óleo ainda quente a gordura vai se espalhar por toda a sua cozinha.

Coloque caldo de galinha na água para temperar. Caldo de galinha??? Isto mesmo, ele é mais suave e a carne fica mais saborosa. Deixe a chama do fogão na temperatura mínima.

Vai ficar pronta em mais ou menos 3 horas e deve-se colocar mais água quente para não deixar a água secar. Sempre água quente porque a água fria vai endurecer a carne e em pequenas quantidades para que ao final você obtenha um caldo consistente e grosso.

Depois da carne pronta e servida, guarde a panela - sem lavar. E na próxima semana eu ensino o que fazer com uma panela suja.


Espero que gostem e se fizer, conte para mim.

Atualizando: perguntaram qual seria o outro nome da maçã de peito porque ele pode varias nas diversas regiões do pais. A Maçã de peito é a parte separada do acém e normalmente tem uma boa camada de gordura.