Eu tento não esquecer a sua voz. Olho para as minhas mãos e observo os meus gestos na esperança de encontrar alguma marca genética. Tenho vontade de pegar o telefone e ligar. Quem sabe, numa realidade paralela, uma senhora franzina e elegante aguarda em vão uma ligação da sua filha.
04 anos sem você.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2016
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Um dia especial
Tá certo, 2015 foi um ano difícil. Mas tropeçamos em felicidades
que nos fizeram transbordar de alegria. Foi muito bom participar de cada
detalhe do planejamento deste dia. Hoje, um ano depois, sei que terei saudades
pelo resto da vida.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Viagens inesquecíveis
Um blog de turismo perguntou "Qual história você tem para contar de um "perrengue" quando acampou?". Eu respondi e a minha história foi uma das selecionadas.
Babi Bernardes e o fusquinha guerreiro
http://viajeaqui.abril.com.br/vt/blogs/mochilapride/coceira-chuva-e-avalanche-5-historias-de-gente-que-ja-passou-perrengue-em-acampamentos/
“Anos 1970, fomos 4 pessoas para Angra dos Reis. Na época, a referência era o Guia 4 Rodas que dizia que um camping estava em construção. Como o guia era do ano anterior, nós acreditamos que ele já estaria pronto. Muita chuva na chegada e informações erradas nos levaram a uma estrada que terminava de repente. Quando fomos virar o carro – um fusca bem velhinho – o carro ficou pendurado em uma ribanceira. O motorista, meu noivo na época, saiu em busca de um guincho para puxar o carro. E nós ficamos na chuva…
Ele não encontrou e voltou com um bando de “chapas de caminhão” para puxar o carro. Depois de muito sufoco conseguimos sair, em busca de um hotel, bem baratinho, para passar a noite e ir embora no dia seguinte.
Pensa que acabou? No caminho vimos algumas barracas montadas no que parecia ser um campinho de futebol. Montamos a nossa barraca que era muito grande e foi aquela dificuldade. E a chuva continuava. Fomos a um restaurante e usamos o banheiro para fazer uma limpeza na cara e escovar os dentes e fomos dormir.
Pensa que acabou??? Choveu a noite toda e no dia seguinte nossas sacolas estavam “boiando” na área que chamávamos de copa. Naquele tempo se usava umas sacolas de lona, bem coloridas. A tinta das sacolas manchou todas as roupas.
Desesperados, recolhemos tudo e começamos o caminho de volta. E, de repente, na estrada, vimos o camping que havíamos procurado tanto. Teimosos, descemos novamente toda a bagagem, lavamos as nossas roupas manchadas, preparamos o almoço e até hoje eu acredito que foi o melhor macarrão com sardinha que comi na minha vida. Como alguém já falou: viajar te deixa sem palavras. E depois te torna um especialista em contar histórias.”
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Para onde vou???
(Acervo Memorial do Bordado)
Se olharmos uma fotografia do nosso país percebemos que estamos vivendo momentos desanimadores. E até onde o nosso olhar alcança e o nosso pensamento voa, são poucas as perspectivas que temos.
São tempos difíceis. Poucos são os motivos que nos fazem acreditar em momentos melhores.
A tal operação já gastou toda a água que não tínhamos e ainda não conseguimos lavar nada. Não conseguimos passar este país à limpo para que pudéssemos escrever uma nova história.
Este tempo distante daqui foi importante para refletir e pensar o amanhã. Estou fazendo algumas mudanças na minha vida profissional e isto ainda precisa caminhar para que eu possa realizar plenamente estes sonhos.
Porque o sonho é o que nos resta. É o sonho que nos permite escolher a estrada que nos fará feliz.
Um destes sonhos já está no ar. Há 3 anos atrás quando percebi que a partida dos entes queridos havia deixado um enorme vazio na alma e que o tempo, de repente, estava sobrando, resolvi fazer algumas aulas de bordado.
E fiquei apaixonada pelo tema. Hoje eu reconheço que o bordado, que durante séculos foi visto como uma atividade feminina por excelência, foi evoluindo ao longo dos tempos e apesar dos silêncios, das omissões e dos preconceitos da história da arte vai muito além de uma simples atividade doméstica. O bordado conta a história de um povo e mostra os seus valores.
E eu quero convidar vocês a conhecerem este novo projeto. São duas páginas bordadas com muito afeto.
Instagram bordados_e_bordadeiras
Facebook.com/bordadosebordadeiras
Vá lá. Veja o que já postamos, deixe o seu recadinho e principalmente, deixe as suas sugestões para que possamos sempre falar diretamente com o seu coração.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Senta, fique à vontade porque "lá vem história"
Voltei
Voltando
Eu vou ali e volto já
Recomeço
Foram palavras que muito utilizei no último ano. Muitas
promessas, nem sempre realizadas. Foram dias, às vezes meses, sem conseguir
deixar esta casa pronta para receber vocês.
Mas hoje é um dia datado em meu coração. E resolvi que era
chegada a hora de dar explicações. Nunca pretendi ser fonte de inspiração ou
modelo para alguém. Porém, um sinal de alerta sempre deve ser transmitido. É informação
que pode ajudar alguém.
E deixa eu contar esta história desde o início para que
vocês entendam melhor.
Em outubro do ano passado resolvi fazer um check-up, apesar
do último ter sido realizado apenas há 6 meses. Tinha ido ao ginecologista, que
pediu, além dos exames de rotina, uns exames cardíacos e estava tudo certo.
Aos 63 anos, nunca precisei tomar remédios de uso contínuo e até mesmo a
menopausa não deixou vestígios em minha vida.
Mas comecei a sentir umas dores nas costas. Sempre havia uma
desculpa: viajei durante horas, usei muito tempo o computador, dormi mal....
etc.etc. Desta vez procurei um clinico geral que na primeira consulta não
encontrou nada que justificasse estas dores e pediu exames. Muitos exames, até
mesmo alguns que eu não conhecia e outros que havia feito somente quando era
criança. Quando levei os resultados, dois chamaram a sua atenção: o exame de
fezes com sangue oculto e o CEA indicavam um problema.
Não conhecia o CEA. Por ter um histórico de câncer ginecológico
na família, eu sempre incluí o CA 125 nos exames de rotina.
Um esclarecimento sobre estes exames. Não são
diagnósticos e sim marcadores. E eles são feitos com uma análise do sangue do
paciente.
CA 125 - exame avalia risco para câncer de ovário
CEA - marcador tumoral para câncer colo-retal, estômago,
pâncreas e mama
Estes marcadores podem se elevar em outras situações clínicas
e é preciso realizar exames que confirmem o diagnóstico.
Juntando o lé com o cré, fui fazer uma colonoscopia que é o exame que permite ao
médico analisar o revestimento interno do intestino. E veio a confirmação do
diagnóstico: câncer no intestino.
Assim, em 3 de novembro de 2014 fiz a minha cirurgia no intestino. Não
vale a pena descrever o que veio a seguir porque foram meses de tratamento quimioterápico, cinco procedimentos com anestesia geral e
hoje eu acredito que somente quem já passou por uma situação assim pode avaliar
como é doloroso e sofrido este tempo.
Alguém escreveu:
"Quando envelhecemos,
algumas coisas viram
sofrimento.
Outras, entendimento.
E outras, insuspeitadamente,
transformam-se em
contentamento".
algumas coisas viram
sofrimento.
Outras, entendimento.
E outras, insuspeitadamente,
transformam-se em
contentamento".
Muito aprendi nestes tempos.
Contei para as pessoas mais próximas porque eu precisava da
sua energia positiva para caminhar. Poupei as que me amavam demais e não
mereciam sofrer porque já carregavam o fardo da idade e dos problemas. Mandei
para a “p q p” àqueles que não cuidavam de mim quando eu estava bem e eu resolvi
que não mereciam estar no mesmo quadrado meu. Fiquei mais leve.
Eu, que sempre quis a harmonia e o belo ao meu redor aprendi
a conviver com náuseas, vômitos, arroto, diarreia e PUM. Para
amenizar, fiz piadas com estes nojentos que passaram a fazer parte do meu dia a
dia. Tudo para não perder o encanto com a vida e o sorriso.
A cada exame percebia que um novo dia pode ser um contínuo
chegar de esperanças. Quietinha, no meu canto, concentrei todas as minhas
energias na minha recuperação.
Sofrer não estava nos meus planos. Chorei muito para lavar a
alma, para renovar as forças.
Lembra
das dores nas costas? Desapareceram após a primeira consulta com o clínico
geral e eu tenho a certeza de que eram as asas do meu anjo da guarda me
empurrando para buscar ajuda.
Rezei. Mas sem fazer trocas com Deus e não tenho promessas
para pagar. Confiei e deixei em Suas Mãos. Durante todo este tempo fiz um único
pedido: cuida de mim. E, se não posso ter uma bolsa Chanel, não permita que eu
ganhe uma bolsa de merda (colostomia).
Como Deus é
muito bom de serviço e sabe fazer tudo direitinho, hoje eu me sinto pronta para
contar a minha história. E lembrar a todos vocês que estes dois indicadores CEA
e CA125 devem fazer parte da nossa rotina de exames.
E se você quer saber como estou, posso dizer com toda a
sinceridade: eu estou muito bem. Sou uma pessoa abençoada e com uma única
missão: ser feliz.
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Eu vou ali e volto já
Já tirou férias e ficou na sua casa? É o que pretendo fazer nos próximos dias e vou ficar fora do ar.
Tenho vários compromissos - família, saúde, trabalho e quem tem um blog sabe que são necessárias várias horas de pesquisa, escrever, corrigir e publicar.
Preciso de um tempo - bem grande - para colocar a minha vida nos trilhos novamente.
Quando sobrar um tempinho faço uma visita para vocês. Mas por aqui só volto no dia 18 de Maio.
Até lá e, por favor, não me esqueçam.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Recomeço
Confesso que pensei em desistir. Não consegui cumprir a promessa de que estaria mais presente e a cada dia encontrava uma nova desculpa para protelar o recomeçar.
Deus nos deu o livre arbítrio para escolher os nossos caminhos mas o quê devemos fazer se diante de nós o caminho é único? Resta apenas enfrentar a agonia de cada dia e acreditar que no final do arco-íris vamos encontrar um pote de fé, esperança e força de vontade para alavancar a nossa caminhada.
Poderia transformar este espaço em um muro de lamentações. Transformar em palavras cada pedra que ando quebrando. Sei bem que encontraria um ombro amigo para me consolar, um abraço de amor para reconfortar, um par de ouvidos para me entender. Mas não posso e não devo fazer isto.
O sofrimento traz um aprendizado. As lágrimas lavam a minha alma. Apenas peço que compreendam o meu isolamento e que entendam que nem sempre consigo ver coisas bonitas para trazer para este espaço.
Mas hoje é a primeira segunda-feira do mês e do ano e é um bom dia para o recomeço.
"Que nesta semana as tristezas errem o nosso caminho e as alegrias nos encontrem com todas as portas abertas! Amor, paz e leveza para flutuar no território do sonho sem medo de pôr os pés na realidade".
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Retorno
O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.
José Saramago
Estou de volta. Diante de mim tenho um mês novinho em folha para escrever a minha história. Breve, um novo ano. Para semear e colher.
Nos últimos dias voltei nos meus passos e espero ser capaz de traçar novos caminhos.
Prometo que ainda chego no seu cantinho para deixar o meu abraço.
Prometo manter vivo este espaço.
Prometo continuar correspondendo ao carinho de vocês.
Prometo que ainda chego no seu cantinho para deixar o meu abraço.
Prometo manter vivo este espaço.
Prometo continuar correspondendo ao carinho de vocês.
... e prometo cumprir as minhas promessas.
Eu vi aqui
terça-feira, 16 de setembro de 2014
A grande família
E concordo plenamente com ele.
Bem, para ser sincera, é a família do meu sogro que é muito festeira. Tudo é motivo para uma festa e se não tiver motivo eles inventam.
E nem precisa ser uma grande festa porque a diversão está garantida quando dois ou três se encontram. Eles gostam de cantar, apreciam um jogo de cartas e a mesa da cozinha está sempre disponível para as conversas de família.
Tudo começa com um golinho de café, um pão de queijo quentinho, uma broinha de fubá ou um biscoito de polvilho. Aí a prosa segue por horas.
Desde 1986 eles realizam, anualmente, a festa Reencontro dos Mendes e Bernardes - REMENBER. Em um fim de semana, tentamos reunir o maior número de pessoas e, além de muita comida, tem sempre brincadeiras entre as famílias, como a disputa “Minha família é show” com apresentações de cada grupo.
Veja aqui
Desta festa, surgiu o Jornal Remenber
Ele é enviado por e-mail, todos os meses. O jornal traz notícias da família, lembra as datas dos aniversariantes do mês, conta quem viajou, quem chegou, os nascimentos e falecimentos. Quando começou, fizemos o perfil das pessoas de 3 gerações – quem são, onde moram, o que fazem.
Completamos 6 anos e já fizemos 68 edições.
TCHAN, TCHAN, TCHAN, TCHAN... música de suspense porque ele é sensacional.
O Álbum de Figurinhas do Remenber.
Já comecei a colecionar o meu. Tem figurinhas difíceis (são as pessoas que sempre estão presentes nos eventos da família, ou seja, as fáceis se tornaram difíceis), foi montado todo um sistema de logística para a distribuição de álbuns e figurinhas (ele deverá estar pronto para o encontro de 2015) e a festa de lançamento foi ótima.
E assim arrumamos mais um motivo para fazer festa: ontem foi promovido um bingo cuja prenda era uma figurinha difícil...
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Hoje é dia de saudade
Aprendi a contar o tempo com as suas orquídeas. Elas sempre chegam em setembro, mês datado em meu coração.
No passado, era um tempo de muito riso porque comemorávamos os aniversariantes do mês. Hoje, é lembrança dos que partiram.
A saudade chega de mansinho para lembrar que ficou um vazio e que não é possível frear as lágrimas porque a saudade é dor doída.
Saudade é ausência física, impressa em fotos. Foi costurada no coração e de lá não pode fugir. Não para de crescer, faz parte de nós e não tem fim.
Mas a saudade traz de volta as lembranças bonitas, as histórias cheias de vida, muito carinho e amor. A saudade até consegue trazer de volta o sorriso.
Haroldo, Helena e Maria Helena, nós nos veremos no outro lado da vida. Com certeza.
No passado, era um tempo de muito riso porque comemorávamos os aniversariantes do mês. Hoje, é lembrança dos que partiram.
A saudade chega de mansinho para lembrar que ficou um vazio e que não é possível frear as lágrimas porque a saudade é dor doída.
Saudade é ausência física, impressa em fotos. Foi costurada no coração e de lá não pode fugir. Não para de crescer, faz parte de nós e não tem fim.
Mas a saudade traz de volta as lembranças bonitas, as histórias cheias de vida, muito carinho e amor. A saudade até consegue trazer de volta o sorriso.
Haroldo, Helena e Maria Helena, nós nos veremos no outro lado da vida. Com certeza.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
De volta.
Voltei à sua casa. O pequeno jardim e a porta que se abre para um passado que já vai ficando distante. Começo a achar que suas paredes ficaram encantadas porque o ambiente é sempre mágico, feliz e repleto de sensações prazerosas.
Ainda sinto o cheiro do seu perfume nas roupas e nos objetos. Meus olhos teimam em não ver que o tempo deixa as suas marcas. Aqui sou abraçada, recebo colo e aconchego.
Me alimento destas lembranças e sei que este sempre será um lugar especial.
Ponto de encontro, lugar das brincadeiras inesquecíveis. Cama quentinha, ouvir histórias da família até mais tarde, olhar as fotos que registraram estes momentos que ficam guardados na memória, com muito carinho.
Sair às ruas, ser reconhecida e abraçada traz as palavras de Drummond.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
Este amor me alimenta e esqueço o meu cansaço. Procuro pelas minhas raízes. Em cada passo encontro um pouco de vocês e em cada lembrança um pouco da luz que sempre nos uniu. Não quero esquecer. Preciso deste reencontro para viver. Preciso desta força para continuar.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Kitchen chef
Tenho um pé na cozinha porque eu acredito que a cozinha é um lugar para cuidar do outro. Junto com o tempero nós colocamos aromas, cores, sabores, texturas.
Colocamos também ternura e amor. Incentivar a criança a participar do preparo dos alimentos pode ser uma brincadeira.
Assim, a carta que enviei para os meus amores tinha também um livro de receitas simples para serem executadas por crianças.
E fazer os Pop Cakes ocupou uma tarde das suas férias escolares.
Colocamos também ternura e amor. Incentivar a criança a participar do preparo dos alimentos pode ser uma brincadeira.
Assim, a carta que enviei para os meus amores tinha também um livro de receitas simples para serem executadas por crianças.
E fazer os Pop Cakes ocupou uma tarde das suas férias escolares.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Doida ou doída?
Acordo com uma dor no peito. Alguns minutos para perceber que os músculos estão tensos. Culpa do vento que ao encontrar as frestas das venezianas das janelas invade todos os cantos. O som do vento do inverno aumenta a sensação de frio.
Relembro Adélia Prado “Minha alma é um bolso onde guardo as minhas memórias vivas. Memórias vivas são aquelas que continuam presente no corpo. Uma vez lembradas, o corpo ri, chora, comove-se, dança. O que a memória amou fica eterno”.
Quando criança eu escrevia o meu nome nos vidros embaçados.
Hoje a brincadeira não me atrai porque a manhã fria traz uma sensação de solidão. E a lembrança de que as coisas boas ficaram no passado.
O mundo ficou pior. As notícias do dia falam de violência. Contra crianças e idosos. Violência psicológica, física. Exploração do trabalho infantil. Fica sem explicação o assassinato de várias mulheres. Abuso sexual de menores.
Um novo escândalo de corrupção. Assaltos, comércio de drogas. O pai que abandona o filho, preso às ferragens do carro, após um acidente.
Fico assustada com o novo modelo de família mostrado em novelas e seriados como se esta fosse a nossa realidade. Me recuso a assistir algo que se chama Boogie Oogie, que eu nem sei o que significa. Como me recuso a participar de discussões cujo tema é “vai ter ou não vai ter beijo gay?”
E penso em fugir desta dura realidade. Quero ter o meu pedacinho de chão na Vila de Santa Fé. Quero dialogar com a fábula. Quero acreditar que o amor supera barreiras.
Lá, o cenário do inverno não traz a solidão. Quero recuperar a minha ingenuidade e acreditar que o vilão é capaz de se transformar.
Na Vila de Santa Fé acredito que serei capaz de cantar, que nenhuma palavra será vazia, que os sentimentos sempre serão verdadeiros. Nunca mais sorrisos frios, abraços forçados e saberei reconhecer a felicidade em cada canto.
Será que fiquei doida? Tudo bem, prefiro ser doida do que doída.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Happy Birthday
Este é o cartão que será entregue hoje, junto com o seu presente. Tenha um dia lindo e aproveite cada instante.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Ao mestre, com carinho
Demoramos aproximadamente 3 meses preparando o presente da professora da nossa turma de bordado. Tudo começou com a escolha dos guardanapos e do aro de enfeite. Aí, cada aluna, com criatividade e competência, bordou o monograma do casal.
Arrematados por uma renda, estavam prontos para serem lavados e engomados.
Valeu à pena. Foi mágico o instante da entrega e acredito que, mais do que um presente, ela recebeu de volta o aprendizado que nasceu do seu cuidado com cada uma de nós.
terça-feira, 15 de julho de 2014
E venceu o melhor! Bravo Alemanha.
O meu caso de amor com o futebol é bem recente. Nunca entendi como um acontecimento que dura apenas 90 minutos pode ainda ser discutido, comentado, elogiado, visto e revisto por várias e várias vezes, anos a fio.
Comecei acompanhando o marido ao estádio. Comprei a minha primeira camisa. Aprendi a comemorar as minhas vitórias e as derrotas do adversário. E, principalmente, aprendi a admirar um bom jogo. De qualquer time.
E a Copa do Mundo nos deu isto. Vimos times guerreiros e partidas memoráveis. E nos deu a oportunidade de conviver com o diferente.
Esta convivência foi o melhor do torneio. O olhar “estrangeiro” nos faz conhecer e nos ensina a gostar do que nós temos. Nos faz ver que podemos aprender com o outro.
“É lindo ver que no Brasil o céu do inverno é azul”
“ À princípio estranhei e queria saber porque o brasileiro colocava areia na comida. Experimentei e senti o gosto de bacon. Então conheci a farofa”.
“É muito bom chegar a uma cidade e ouvir que você é bem-vindo”.
Nossos sabores conquistaram os estrangeiros e não houve quem deixasse de elogiar o pão de queijo no café da manhã, tropeiro, o churrasco, a feijoada no almoço e petiscos para acompanhar a cerveja gelada nos bares à noite.
Os argentinos foram um caso à parte. Por estarem perto de casa invadiram o nosso país praticando, muitas vezes, um turismo predatório e indesejável. Milhares vieram de carro ou motor home, sem ingressos para os jogos, sem reserva em hotel. Quem já viajou sabe que isto é impossível de acontecer em países que fazem um controle em suas fronteiras. Em estado alfa porque disputavam a final, pareciam acreditar que poderiam virar o jogo na economia, na política e no futebol. Sua presidente teve alguns bons dias para respirar aliviada porque transferiu parte de seus problemas para o Brasil.
A criatividade do brasileiro e o seu senso de humor nos fizeram rir, até mesmo dos nossos problemas. Conhecemos o casal que confundiu o nome dos destinos e no lugar de ir para Salvador, acabou chegando em El Salvador. Assim como o torcedor chileno que confundiu Curitiba com Cuiabá e ficou sem ver a partida da sua seleção. Teve também o jornalista alemão que, ao pedir informações para chegar ao Pão de Açúcar acabou parando no supermercado do mesmo nome.
Podolski nos ensinou que simpatia e gentileza abrem portas. Inclusive as do coração. Quando chegaram à Bahia os alemães foram rejeitados pelos habitantes locais que se sentiram ameaçados pelas novas regras de segurança implantadas pela equipe. Ao partir, deixaram um legado de benfeitorias e lembranças.
Problemas? Tivemos muitos. São problemas enormes e inaceitáveis. Obras inacabadas, parte de um viaduto caiu matando pessoas, a lei seca tirou férias e desapareceu. Os outros também os tem: torcedores invadiram estádios, a mordida do jogador uruguaio Suárez no ombro do jogador italiano Chielini mostrou ao mundo que nem sempre conhecemos as regras do jogo e as respeitamos. Conhecemos a seleção que beijou e cheirou os maços de dinheiro.
A derrota da seleção brasileira já foi chorada em verso e prosa. Luciano Huck comparou a goleada do Brasil pela Alemanha ao atentado de 11 de setembro (menos, Sr. apresentador. Bem menos). É uma triste lição e, se queremos recuperar o prestígio do país do futebol, temos que fazer uma faxina nas instituições que gerenciam este esporte. Entender que o outro aprendeu a jogar. Nós ensinamos e o aluno já está superando o mestre. Talentos temos de sobra mas é preciso reconhecer nossas falhas e mudar (sem que seja preciso criar uma nova estatal para administrar).
Agora é hora de pagar a conta da festa e investigar as obras superfaturadas. Tirar os tapumes que encobriram as nossas falhas. Trazer os estudantes de volta às aulas. Aprender que para a realização de um grande evento o país deve continuar o seu dia a dia, sem feriados ou férias forçadas porque isto também prejudica a economia e compromete o que ganhamos com a vinda de tantos turistas.
E ao final de tudo esta imagem nos mostra que quando um dia acaba assim somos muito felizes porque são as coisas pequenas que enriquecem a vida.
Comecei acompanhando o marido ao estádio. Comprei a minha primeira camisa. Aprendi a comemorar as minhas vitórias e as derrotas do adversário. E, principalmente, aprendi a admirar um bom jogo. De qualquer time.
E a Copa do Mundo nos deu isto. Vimos times guerreiros e partidas memoráveis. E nos deu a oportunidade de conviver com o diferente.
Esta convivência foi o melhor do torneio. O olhar “estrangeiro” nos faz conhecer e nos ensina a gostar do que nós temos. Nos faz ver que podemos aprender com o outro.
“É lindo ver que no Brasil o céu do inverno é azul”
“ À princípio estranhei e queria saber porque o brasileiro colocava areia na comida. Experimentei e senti o gosto de bacon. Então conheci a farofa”.
“É muito bom chegar a uma cidade e ouvir que você é bem-vindo”.
Nossos sabores conquistaram os estrangeiros e não houve quem deixasse de elogiar o pão de queijo no café da manhã, tropeiro, o churrasco, a feijoada no almoço e petiscos para acompanhar a cerveja gelada nos bares à noite.
Os argentinos foram um caso à parte. Por estarem perto de casa invadiram o nosso país praticando, muitas vezes, um turismo predatório e indesejável. Milhares vieram de carro ou motor home, sem ingressos para os jogos, sem reserva em hotel. Quem já viajou sabe que isto é impossível de acontecer em países que fazem um controle em suas fronteiras. Em estado alfa porque disputavam a final, pareciam acreditar que poderiam virar o jogo na economia, na política e no futebol. Sua presidente teve alguns bons dias para respirar aliviada porque transferiu parte de seus problemas para o Brasil.
A criatividade do brasileiro e o seu senso de humor nos fizeram rir, até mesmo dos nossos problemas. Conhecemos o casal que confundiu o nome dos destinos e no lugar de ir para Salvador, acabou chegando em El Salvador. Assim como o torcedor chileno que confundiu Curitiba com Cuiabá e ficou sem ver a partida da sua seleção. Teve também o jornalista alemão que, ao pedir informações para chegar ao Pão de Açúcar acabou parando no supermercado do mesmo nome.
Podolski nos ensinou que simpatia e gentileza abrem portas. Inclusive as do coração. Quando chegaram à Bahia os alemães foram rejeitados pelos habitantes locais que se sentiram ameaçados pelas novas regras de segurança implantadas pela equipe. Ao partir, deixaram um legado de benfeitorias e lembranças.
Problemas? Tivemos muitos. São problemas enormes e inaceitáveis. Obras inacabadas, parte de um viaduto caiu matando pessoas, a lei seca tirou férias e desapareceu. Os outros também os tem: torcedores invadiram estádios, a mordida do jogador uruguaio Suárez no ombro do jogador italiano Chielini mostrou ao mundo que nem sempre conhecemos as regras do jogo e as respeitamos. Conhecemos a seleção que beijou e cheirou os maços de dinheiro.
A derrota da seleção brasileira já foi chorada em verso e prosa. Luciano Huck comparou a goleada do Brasil pela Alemanha ao atentado de 11 de setembro (menos, Sr. apresentador. Bem menos). É uma triste lição e, se queremos recuperar o prestígio do país do futebol, temos que fazer uma faxina nas instituições que gerenciam este esporte. Entender que o outro aprendeu a jogar. Nós ensinamos e o aluno já está superando o mestre. Talentos temos de sobra mas é preciso reconhecer nossas falhas e mudar (sem que seja preciso criar uma nova estatal para administrar).
Agora é hora de pagar a conta da festa e investigar as obras superfaturadas. Tirar os tapumes que encobriram as nossas falhas. Trazer os estudantes de volta às aulas. Aprender que para a realização de um grande evento o país deve continuar o seu dia a dia, sem feriados ou férias forçadas porque isto também prejudica a economia e compromete o que ganhamos com a vinda de tantos turistas.
E ao final de tudo esta imagem nos mostra que quando um dia acaba assim somos muito felizes porque são as coisas pequenas que enriquecem a vida.
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