Nesta segunda-feira, às 9 horas, o telefone toca. Do outro lado, uma voz , no meio a muito barulho, dizia: não vou conseguir chegar porque estou presa em uma manifestação e o ônibus não sai do lugar.
Hoje, ela chegou. Nas mãos a conta de telefone vencida que pretendia pagar com o que receberia ontem. E, indignada, reclamava: "não cheguei ao meu trabalho, não recebi um dia de serviço e não devolveram o valor da passagem que paguei e não pude utilizar. Se o preço das passagens é o motivo dos protestos porque não fecham as portas das garagens dos ônibus? Voltei para casa à pé, com fome, raiva e vontade de ir ao banheiro!!!"
O Facebook entrega um convite: uma manifestação será promovida na pequena cidade do interior, onde não tem serviço de transporte público porque as distâncias são vencidas pelos sapatos ou pela bicicleta. Podemos marca-las com cuspe.
Dois exemplos reais, próximos a mim, de pessoas perdidas em um movimento que não conseguiram entender. E eu também não entendo.
Eu aprendi que para mudar a vida é preciso levantar porque não existe um controle remoto capaz de promover estas mudanças.
O povo levantou e saiu às ruas, mas confesso que eu estou perplexa com este movimento. Procuro explicações, informações sobre o que está acontecendo e não consigo chegar a uma conclusão porque parece haver um descontentamento geral, mas qual o objetivo? Como resultado, surge apenas um clima generalizado de insatisfação política, raivoso, intenso, insolúvel e incontrolável.
Neste vazio de motivação cabe tudo e aí mora o perigo porque criaram um problema impossível de resolver. Não existe uma solução possível se não consigo definir o meu problema, se não existe uma causa específica a defender.
Precisamos de mudanças profundas e verdadeiras e não é com atos de vandalismos (aí incluindo manifestantes e policiais) que vamos abrir os nossos olhos, acordar, entender para onde devemos caminhar e qual o nosso propósito. Precisamos de mudanças, mas estar contra tudo não é uma ideologia e não define os meus objetivos.
2014 está chegando. Os que estão no poder foram eleitos com o voto desta maioria que está na rua. Qual caminho vamos trilhar? Qual bandeira vamos erguer?
Notas da redação:
- espero que amanhã esta blogueira consiga encontrar o caminho de volta porque estas páginas não foram feitas para questionamentos políticos!!!!



















