Estamos vivendo tempos de estiagem e seca. No sudeste encontramos paisagens semelhantes a que sempre vimos no Nordeste. Experimentamos as dificuldades provocadas pela falta de água.
O homem chegou, desfez a natureza e até mesmo o São Francisco secou. E a profecia do beato não se realizou: “o sertão vai virar mar”, mas o seu medo se materializou “o mar também vire sertão”.
Dias assim pedem saladas. Fáceis, práticas e saborosas.
Batatas cozidas, bacalhau dessalgado e aferventado e azeitonas pretas. Regue com azeite (os ingredientes devem estar quentes). Junte salsinha desidratada, corrija o tempero. Leve para gelar.
Tomate cereja, muçarela de búfala, cogumelos, azeitonas verdes recheadas, salsinha desidratada e manjericão. Regue com azeite e tempere a gosto.
Folhas verdes, cubos de queijo prato, tomate cereja, rúcula, damascos. Regue com azeite e tempere a gosto.
Você acha que o professor é desvalorizado no nosso país?
Sim, esta é a opinião geral. Como é de conhecimento de todos que as nossas escolas não atendem com qualidade os nossos alunos.
Uma escola de qualidade implica ter um projeto pedagógico e uma proposta de filosofia educativa. Significa ter pessoas preparadas para exercerem esta função. Significa ter estrutura e material disponível.
E, na maioria das escolas públicas isto não é real.
O governo não cumpre o seu papel e os professores, do outro lado, nunca aprenderam a reivindicar. Ao longo dos anos tenho acompanhado as greves do setor (uma vantagem da idade é que somos testemunhas da história) e no balaio de gato da pauta sempre encontramos “por melhores salários” e também “por melhores condições de trabalho”.
Mesmo insatisfeitos recolhem o aumento de salário e voltam para as suas escolas sem um passo em direção das melhores condições de trabalho.
Aqui no estado os professores vivem brigando com o governo porque ele implantou a meritocracia. Não vou entrar em pormenores porque desconheço os parâmetros mas premiar pelo bom trabalho prestado é um sinal positivo e um avanço. O aumento salarial para todos coloca no mesmo balaio os alhos e os bugalhos.
E só vamos ter um novo patamar educacional – de qualidade - se pudermos encontrar em nossas salas de aula a Dona Julieta, ardida como pimenta mas que consertava toda letra feia dos alunos. Se encontrarmos a Dona Idinha, uma fada mágica que nos fazia entender que aqueles símbolos eram letras e que juntando o lé com o cré iríamos mergulhar na magia dos livros. Queria encontrar a Eliete que me ensinou o amor à poesia e despertou o dom da declamação. Ficaria feliz em rever a Dona Clarinha, fina e elegante no alto dos seus sapatos, a exigir que os adolescentes fossem gentis e educados, que soubessem usar o muito obrigado e o por favor. O Professor Wantuil com a sua erudição, o Professor Marcus e o seu amor ao teatro. A Dona Noélia e sua voz suave. E a Dona Cléria, sempre suja de giz e que caminhava pelas ruas da cidade desenhando fórmulas matemáticas no ar.
Estes e tantos outros deixaram a sua marca em minha vida e eu carrego um pedacinho deles comigo. Por eles e por aqueles que trilham o mesmo caminho, eu envio aos professores o meu abraço carinhoso.
Não tenho filhos. Durante um certo tempo consegui acompanhar o que acontecia com as crianças e adolescentes porque vivia rodeada pelos sobrinhos.
Depois, eles cresceram, casaram e nossos encontros foram ficando mais raros.
Mas tenho amigas com filhos ou netos nesta faixa etária (11 a 14 anos) e foi uma delas que me enviou este link.
Trata-se de um vídeo cuja temática é discutir masturbação, relação sexual e relação gay. Está disponível no Portal do Professor, do MEC e ele incita as crianças a iniciarem a sua vivência sexual.
Com o objetivo de combater o preconceito este e outros vídeos disponíveis são indicados para que o professor possa fomentar a desconstrução do modelo tradicional de família que conhecemos, formada a partir da união entre um homem e uma mulher.
Meu queixo caiu quando entendi que estamos falando para um público que ainda não tem a plena capacidade de fazer suas escolhas. Aliás, nesta faixa etária (se eu me lembro ainda pois faz tanto tempo) a minha melhor amiga era muito mais importante e ocupava um espaço muito maior na minha vida do que aquele rapazola, com barba ainda por nascer. Mais tarde, me apaixonei de verdade e ela foi a madrinha do meu casamento.
Um outro tópico a ser observado é que em nenhum momento vemos os pais da criança conversando sobre educação sexual ou suas dúvidas. Sempre são vistos como opressores e que devemos esconder deles o que estamos fazendo.
Vale a pena também ver os livros recomendados pelo atual Governo Federal. Neles é possível acompanhar a luta de Delúbio e Dirceu para provarem a sua inocência. Em outro material exalta a presidente e diminui os concorrentes (http://deolhonolivrodidatico.blogspot.com.br/).
Aí só me resta perguntar: que país é este? E eu acredito que posso ouvir: Beatriz, estes são os novos tempos. Se não concorda, vá curtir a sua aposentadoria bem longe daqui.
Você tem filhos em idade escolar? Acompanha o que eles estão recebendo dos seus professores?
Meu nome é Beatriz Bernardes. Este blog nasceu quando vim morar em um Kinder Ovo, na cidade de Belo Horizonte. Muita coisa já mudou, muita água correu debaixo da ponte. E é assim que eu vejo a vida – cada dia nos traz uma novidade e vivemos num aprendizado constante.