terça-feira, 22 de novembro de 2016

Bom dia

Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria 
E a primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro

Um comentário:

Isabel (Bekas) disse...

lindo poema de Caeeiro. Aí, desse lado do oceano, é Primavera. Aqui, deste lado, Lisboa, começou o inverno e o frio, veio mesmo para ficar. Beijinhos e que a Primavera seja bem florida.