quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Você faz crochê?

Hoje acompanhei, no Facebook, uma discussão muito interessante, que representa bem estes nossos tempos.

Alguém comentou que achava muito lindo ver, cedinho ainda, muitas mulheres idosas voltando da academia. E que esta era uma nova forma de encarar o mundo, mais ligadas que estão ao fitness do que às agulhas de crochê. E entre kkkkk e rsrsrsrs faziam questionamento “elas ainda fazem crochê?” Outra dizia “minha vó faz”... e assim por diante.

E fiquei aqui pensando como mudou o perfil feminino nas últimas décadas. Não vou entrar no mérito das grandes conquistas – sim, todas válidas e necessárias.

Vou falar um pouco sobre a identidade feminina. Para construir esta identidade as mulheres jovens de hoje em dia (não vamos generalizar, mas elas são maioria), tiveram que renegar tudo o que estivesse – obrigatoriamente – ligado ao universo feminino.

Jogaram – porque varrer também não pode – tudo em um grande fosso: cozinhar, bordar, fazer crochê ou tricô, cuidar de uma casa, trocar receita com as amigas, passar roupa, gostar de comprar um lençol novo para a sua casa, costurar... tudo isto passou a ser horrível e não deveria ser feito.

Hoje os seus ideais são aqueles que a sociedade de consumo prioriza. Falam várias línguas mas são incapazes de compreender o que o seu filho diz.

Se submetem à cirurgias perigosas para exibir o corpo que a modelo (que foi abençoada pela natureza) exibe nas capas de revista.

Ficaram mais masculinas, sem que isto signifique absorver o que o sexo masculino tem para nos ensinar.

Perderam a diferença que nos tornava especiais.

No meu primeiro dia de curso de pós-graduação o professor entregou a cada aluno uma folha onde ele teria que identificar as características de cada aluno. E trazia uma série de opções, tais como: quem tem cachorro, quem é casado, quem tem filhos, quem pratica esporte, etc.etc.etc. E, de repente, me vi cercada por 40 jovens, todos com idade para serem meus filhos, porque era preciso identificar “quem sabe fazer crochê?” Fui selecionada pela idade. E todos acertaram a resposta: sim, ela faz crochê.

Para finalizar as historinhas de hoje: apesar de ter ficado longe dos bancos escolares por mais de 25 anos eu me dei muito bem no curso. Primeiro, porque sempre acreditei e acredito que é preciso aprender para não morrer e me dediquei muito aos estudos. Segundo: eu podia não conhecer todas as teorias modernas de marketing mas eu vivi todas as histórias que serviam de exemplo – Mappin, Lojas Brasileiras, Arapuã, Mesbla, Rede Tupi, Transbrasil, Varig, Vasp.

E como sou mulher das antigas, que sei quebrar o coco sem arrebentar a sapucaia, apresento a receita de hoje. Ideal para a hora do lanche, este pão aceita vários tipos de recheio, como presunto ou frango.

É rápido de fazer pois não precisa esperar crescer. É amassar, enrolar, assar e comer. Assim sobra mais tempo para fazer crochê. E bordar. E cuidar da casa e de mim. E ser uma empresária, como sou.






Pão Italiano

Ingredientes
30 gramas de fermento fresco
1 copo (requeijão) de leite morno
1 xícara de óleo
3 ovos
1 cubo de caldo de galinha
Farinha de trigo – mais ou menos 1 ½ kg

Bater no liquidificador. Despejar em uma bacia e colocar farinha de trigo até a massa soltar de sua mão. Abrir em uma superfície polvilhada com farinha. Rechear e enrolar. Misturar gema com um pouquinho de leite e passar sobre os pães. Leve para assar em forno quente.

Recheio:
150 gramas de presunto
200 gramas de muçarela
3 tomates sem sementes
½ pimentão verde
Orégano

Picar e misturar todos os ingredientes

12 comentários:

Anônimo disse...

E o pior é estar num hospital com hemorragia da fase pré menopausa e ser chamada de "exploradora de marido" pelo médico, porque ele leu na ficha que eu sou dona de casa.Lavo, passo, cozinho, costuro, bordo , faço croche e trico,SIM e com muito orgulho. Falta de respeito!!!

Aline Lima disse...

Que post show! gostaria de dar meu depoimento: faço crochê desde meus 9 anos de idade e amo, hoje aos 27 prefiro comprar um jogo de lençol novo pra minha casa do que comprar um sapato e sou feliz assim cada um faz oque lhe da prazer e na família mesmo sofro preconceito pelas minhas preferências mas esse post só me confirma mais ainda que eu devo fazer oque quero e não oque a sociedade impõe
E esse pão ai heim! que maldade vou ter que pegar a receita pra fazer rs!
bjussss!!!

Roselia Bezerra disse...

Olá, queria
Amo crochê e tricô que faço desde nova... mas to encontrando dificuldade para fazê-lo na velhice... rs... o tempo tá curto... entre indas e vindas... pra muitas atividades...
Fazer pão? Uma alegria também...
Tive poucas vezes secretária pra me ajudar... mesmo trabalhando fora na juventude... até me aposentar... gosto do serviço doméstico...
Bjm fraterno

simplesmentefascinante disse...

Bom dia, Beatriz,
Sim....fazemos crochê com muito orgulho.
Adorei seu texto e a receita, gosto de coisas práticas.
E vamo que vamo, seguindo a vida fazendo mil coisas e crochê também..obvio.
bjão...que nossa sexta seja cheia de frescurites bregas.
Mari

Tina Bau Couto disse...

Aplausos de pé \o/

Ghost e Bindi disse...

Olá Beatriz!
Vi seu comentário em um blog que sigo - da Bell - e achei o nome de seu blog muito criativo! E foi com muito prazer que li seu texto maravilhoso. Vc disse tudo, muito bem...atualmente, parece que todas nós precisamos seguir uma cartilha de guerrilheira da chapinha feminista siliconada, rs...que nos deixem ser o que somos, rótulo é pra maizena.
Abraço

Bíndi e Ghost
http://esquinadosversos.blogspot.com.br

Vania Lucia disse...

É Beatriz, penso como vc e vejo comum pontinha de tristeza as meninas de hoje tão empenhadas no mundo externo e se esquecendo de que para ser feliz muitas vezes precisamos só de um cantinho, um livro, um crochê e um cafuné...
Penso que elas estão perdendo coisas muito boas da vida, mas estão ganhando outras, eu acho ou espero...
Bjs

Ana Paula disse...

Quero apenas aplaudir.

Teresa Aparecida de Aquino Soranso disse...

Adorei seu post. É bem isso mesmo. Eu sofri o preconceito ao inverso. Dp de 23 anos trabalhando, estudando e me aperfeiçoando na área de educação, joguei tudo pro ar, me tornei artesã, empresária e trabalho e vivo minha casa. A vida toda fui orientada pra levar uma vida mais profissional, mas me sentia atropelada por tudo. Hoje me sinto feliz, cuidando da casa, do cãozinho, do jardim, do marido e fazendo meus artesanatos. Descobri que deixar isso de lado não estava me fazendo bem e vi muito nariz torcido pra mim, pois como uma profissional tão especializada se sujeitava a fazer artesanato e trabalhar em casa. Coitadas! Cada um na sua. Bjs

Regina Melo-Jocknevich disse...

Mais uma receita de 'liquidificador', adoro!
Sabe q como filha de padeiro, eu nunca fiz pão, mas adooorooo comer um pãozinho.

Por que será q eu visito outros lugares e deixo um reacadinho sem problemas, mas qdo venho aqui tenho q voltar várias vezes antes de fazer um comentário? Eu sei pq, é pq seu espaço é especial Beatriz, eu simplemente gosto demais de suas crônicas, resenhas, opiniões, enfim o q você escreve é profundo, é mágico, é inteligente, e isso me faz pensar, e gostaria muito q pudessemos tomar um cafezinho e jogar conversa fora. Sinto falta de ter uma amiga assim como você por perto.

Acho que o mundo ocidental está completamente desequilibrado, e vejo isso muito no Brasil (parece q aqui a sociedade já passou por essa fase 'meio q perdida'.
Sinto q o Brasil, ainda 'copia', principalmente os EUA, no lugar de desenvolver sua própria cultura.

Dulce Maria disse...

Boa noite ! Sei que este post é antigo, mas estou vendo, conhecendo seu blog página a página. passei a segui-la hoje. Estou encantada com seu espaço, parabéns !Estou amando suas imagens que me trazem por vezes a nostalgia de maravilhosos inicios de dias perfeitos ou mesmo receitas e textos que evocam o melhor dentre antigas lembranças. Que bom que você voltou! Um beijo carinhoso,
Dulce Maria

Dulce Maria disse...

Ah, em relação a seu texto e ao contexto... Maravilhosa sua colocação. Sou mulher, educadora, empresária e amo artesanato de uma maneira geral. Faço crochê, bordo e costuro, sem que isso impeça que seja cada vez mais capaz e perspicaz no mundo dos negócios. E amo cozinhar! Infelizmente estamos vivendo a era do preconceito às avessas, Beijos !