sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Cansaço


Eta semaninha difícil.

Dinhainha – era assim que o meu pai chamava a sua irmã mais velha - foi embora. Para ela, a morte chegou bem antes da morte. Há anos já não estava conosco e sua vida era prolongada pelos “avanços” da medicina. Continua a viver em cada um de nós pois muito do que fazemos aprendemos com ela. Foi generosa e acolhedora. 

Em sua casa os sobrinhos passavam férias memoráveis (até mesmo quem morava na mesma cidade, como eu). Na sua fábrica de doces em compota aprendi a lidar com tachos, panelas e açúcar. Uma alegria enorme quando das fazendas chegavam os carregamentos de frutas. Na despensa sempre tinha um biscoitinho caseiro. O queijo, fabricava na cozinha, com velhas formas de madeira. Nas noites frias do inverno nos dava toalhas aquecidas no ferro. Éramos tantos em sua casa que cada toalha trazia um número para que pudéssemos identificar qual era a nossa. Noites mágicas, ouvindo violão e piano. Conversa à beira do fogão, leite com açúcar queimado antes de dormir.

Difícil também foi comparecer a uma audiência para decidir a partilha dos bens que meu pai deixou. Não foi possível evitar o confronto, mas meu pai é presença maior e a maior herança que nos deixou é a certeza de que muito nos amou e que por nós foi amado.

Chego aqui cansada, mas sei que vou recomeçar. Nada há que uma boa noite de sono não console e faça esquecer. Logo vai amanhecer, eu sei. E vou continuar.

8 comentários:

✿ chica disse...

Triste semana, pesada mesmo. Tua tia descansou. Agora tu vais te recuperar e reenergizar. Fica bem, tudo de bom,chica ( e mexer com inventários, partilhas é cansativo!_)

Tina Bau Couto disse...

Partidas
Partilhas
Memórias

"Mais sábios que os homens são os pássaros
Enfrentam as tempestades noturnas, tombam de seus ninhos
Sofrem perdas, dilaceram suas histórias
Pela manhã tem todos os motivos para se entristecer e reclamar
Mas cantam agradecendo a Deus por mais um dia"
Augusto Cury

Uma boa noite de sono, descanso, oração e força.

Amanhã renasça como sol, e pegue as ferramentas indicadas pelo poeta pássarinho Manoel de Barros:
"1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios e
1 esticador de horizontes”

MEU CARINHO!

Cozinha de Mulher disse...

Oi Beatriz, sem palavras nesse momento tão difícil.
Mas que Deus possa confortar seu coração.. o mais lindo serão pra sempre essas lembranças que possui contigo, essas jamais irão.. e ela estará viva dentro de ti pra sempre..
Um beijo
Sheila

Tina Bau Couto disse...

A amizade é o território humano onde Deus se manifesta, é uma forma de Deus chegar até nós, quando de alguma forma nos reconhecemos no outro. O conceito de amizade pode ser ampliado, consistindo em fazer o bem. Desta forma o autor de um livro que nos faz bem, passa a ser nosso amigo, mesmo que não o conheçamos pessoalmente.
A amizade é como se fosse um parentesco espiritual, os amigos são os irmãos da alma.
Pe. Fábio de Melo

Beijos e boas energias de uma irmã de alma :)

simplesmente....fascinante disse...

Bom dia Beatriz,
É isso mesmo...o sol está sempre a postos no outro dia.
Essas lembranças boas é que têm que permanecer, as ruins é melhor enterrá-las.
O cenário que descreveu na casa de Dinhainha me pareceu aconchegante demais, vale ser guardado num lugar especial do coração.
bjão e com certeza hoje você já está pronta pra esse sabado iluminado.
Mari

Drica disse...

Amiga,

Que Deus cuide de ti o te dê ânimo. Que cure a ferida que a saudade dos que você amou e que te amaram também deixou no seu coração! Fica com Deus e fica em Paz, querida!

Beijão,

Drica.

APC disse...

Os meus pêsames, e a exacta convicção (que já é a sua, mesmo que as forças ainda não ajudem a pô-la em prática): à medida que o tempo passa os dias melhoram, as nuvens dissipam-se e deixam entrar o sol, aos poucos. Desejo que a sua vida volte logo a ter o gosto doce do leite com açúcar queimado.
Um abraço.

Jussara Neves Rezende disse...

Beatriz,
sinto pela sua perda. Este ano tem sido difícil para mim nesse sentido: muitas perdas! Não familiares, mas pessoas próximas, queridas, com as quais convivi muitos anos, que eram uma referência de mim mesma, entende?
Mas seguimos a viver, não é?, em busca da transitória beleza!
bjo&Carinho,
Jussara