terça-feira, 15 de julho de 2014

E venceu o melhor! Bravo Alemanha.

O meu caso de amor com o futebol é bem recente. Nunca entendi como um acontecimento que dura apenas 90 minutos pode ainda ser discutido, comentado, elogiado, visto e revisto por várias e várias vezes, anos a fio.

Comecei acompanhando o marido ao estádio. Comprei a minha primeira camisa. Aprendi a comemorar as minhas vitórias e as derrotas do adversário. E, principalmente, aprendi a admirar um bom jogo. De qualquer time.

E a Copa do Mundo nos deu isto. Vimos times guerreiros e partidas memoráveis. E nos deu a oportunidade de conviver com o diferente.

Esta convivência foi o melhor do torneio. O olhar “estrangeiro” nos faz conhecer e nos ensina a gostar do que nós temos. Nos faz ver que podemos aprender com o outro.

É lindo ver que no Brasil o céu do inverno é azul

À princípio estranhei e queria saber porque o brasileiro colocava areia na comida. Experimentei e senti o gosto de bacon. Então conheci a farofa”.

É muito bom chegar a uma cidade e ouvir que você é bem-vindo”.


Nossos sabores conquistaram os estrangeiros e não houve quem deixasse de elogiar o pão de queijo no café da manhã, tropeiro, o churrasco, a feijoada 
no almoço e petiscos para acompanhar a cerveja gelada nos bares à noite.

Os argentinos foram um caso à parte. Por estarem perto de casa invadiram o nosso país praticando, muitas vezes, um turismo predatório e indesejável. Milhares vieram de carro ou motor home, sem ingressos para os jogos, sem reserva em hotel. Quem já viajou sabe que isto é impossível de acontecer em países que fazem um controle em suas fronteiras. Em estado alfa porque disputavam a final, pareciam acreditar que poderiam virar o jogo na economia, na política e no futebol. Sua presidente teve alguns bons dias para respirar aliviada porque transferiu parte de seus problemas para o Brasil.

A criatividade do brasileiro e o seu senso de humor nos fizeram rir, até mesmo dos nossos problemas. Conhecemos o casal que confundiu o nome dos destinos e no lugar de ir para Salvador, acabou chegando em El Salvador. Assim como o torcedor chileno que confundiu Curitiba com Cuiabá e ficou sem ver a partida da sua seleção. Teve também o jornalista alemão que, ao pedir informações para chegar ao Pão de Açúcar acabou parando no supermercado do mesmo nome.

Podolski nos ensinou que simpatia e gentileza abrem portas. Inclusive as do coração. Quando chegaram à Bahia os alemães foram rejeitados pelos habitantes locais que se sentiram ameaçados pelas novas regras de segurança implantadas pela equipe. Ao partir, deixaram um legado de benfeitorias e lembranças.

Problemas? Tivemos muitos. São problemas enormes e inaceitáveis. Obras inacabadas, parte de um viaduto caiu matando pessoas, a lei seca tirou férias e desapareceu. Os outros também os tem: torcedores invadiram estádios, a mordida do jogador uruguaio Suárez no ombro do jogador italiano Chielini mostrou ao mundo que nem sempre conhecemos as regras do jogo e as respeitamos. Conhecemos a seleção que beijou e cheirou os maços de dinheiro.

A derrota da seleção brasileira já foi chorada em verso e prosa. Luciano Huck comparou a goleada do Brasil pela Alemanha ao atentado de 11 de setembro (menos, Sr. apresentador. Bem menos). É uma triste lição e, se queremos recuperar o prestígio do país do futebol, temos que fazer uma faxina nas instituições que gerenciam este esporte. Entender que o outro aprendeu a jogar. Nós ensinamos e o aluno já está superando o mestre. Talentos temos de sobra mas é preciso reconhecer nossas falhas e mudar (sem que seja preciso criar uma nova estatal para administrar).

Agora é hora de pagar a conta da festa e investigar as obras superfaturadas. Tirar os tapumes que encobriram as nossas falhas. Trazer os estudantes de volta às aulas. Aprender que para a realização de um grande evento o país deve continuar o seu dia a dia, sem feriados ou férias forçadas porque isto também prejudica a economia e compromete o que ganhamos com a vinda de tantos turistas.

E ao final de tudo esta imagem nos mostra que quando um dia acaba assim somos muito felizes porque são as coisas pequenas que enriquecem a vida.



10 comentários:

Tina Bau Couto disse...

AMEI seu texto!
Concordo e assino embaixo de tudinho, cada letra, cada vírgula além da diferença de que o meu amor por futebol é desde pequena, jogava, quando chutava canelas, vivia as copas como eventos do ano, gols como se fossem eu que tivesse feito.
Vou compartilhar sua postagem!
Viva o time, a disciplina, a simpatia e a civilidade alemã. A partir dessa copa, sou fã \o/

✿ chica disse...

Adortei te ler, ver tuas colocações e a COPA funcionou bem, deixou turistas felizes,alegres, bem recebidos. Como tudo nesse país, agora pagaremos,rs beijos,chica

Vania Lucia disse...

Muito bom! Parabéns pelo texto e reflexões.
Bjs

Maria Luiza disse...

Nossa, como vc escreveu bonito! Amei-te ler e fostes ultra, super cívica, enxergando tudo com realidade, sem denegrir ninguém!. Um grande abraço! Parabéns!

Simone Felic disse...

Eu ainda não entendo , mas quando assisto entendo bem o nervosismo e os berrros.
bjs
http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

Paula RB. disse...

Beatriz, oi.
Que crônica bacaninha toda-vida, viu?! Parabéns!

Ainda bem que o maior sucesso da Copa/2014 deu-se muito mais pela sociedade brasileira que seus governantes, que nada fizeram e pouco estavam presentes (a não ser para os famosos rapapés). Porque o único legado que a Copa deixou para o Rio foi uma ponte que liga o Maraca ao metrô. So isso!!!!

Confesso que adorei os alemães (estive em Berlin e sei bem que são pessoas agradabilíssimas, gentis e com sorriso largo - por mais incrível que isso pareça), mas os argentinos aqui no Rio deram trabalho com a sujeira e os espaços públicos que eles ocuparam. Só queria saber se fosse com os brasileirismos em terras portenhas, essa amabilidade e cortesia toda seria feita... tenho lá minhas enormes, enormes dúvidas!

Beijos mais

Sophie disse...

Das hast du sehr schön beschrieben.
Mein Spaß am Fußball hält sich in Grenzen, denn ich schaue nur die großen wichtigen Spiele an.
Mir tut Brasilien schon etwas leid.
Aber es ist nicht zu ändern, es ist keine Katastrophe, sondern nur ein Spiel.
Das war nicht einfach zu sehen, wie Argentinien gegen Deutschland agiert hat, ein sehr hartes Spiel.
Beide Mannschaften haben stark gekämpft.
Wir sind Weltmeister geworden, und das ist schön.
Aber es gibt immer wieder neue Spiele, neue Gewinner und Verlierer.
So ist das Leben.
Was politisch in Brasilien vorher los war, haben wir hier auch alle gesehen. Es ist sehr traurig.
Das Volk wird nicht gefragt, es zählt nur Prestige und Geld.
Brasilien ist ein schönes Land, ich kenne es nur vom TV.
Ganz liebe Grüße
Sophie

simplesmentefascinante disse...

Bom dia, Beatriz,
Concordo: venceu o melhor.
E agora...bola pra frente, a vida continua.
Que nossa quarta seja muito gostosa.
bjão

Lalá disse...

Maravilhoso o seu texto, parabéns! beijos

Regina Melo-Jocknevich disse...

Sinceramente Beatriz, seus textos são incríveis. Gosto muito mesmo de vir aqui para lê-los, e tbém ver os vídeos que escolhe para colocar aqui, aliás fico me perguntando como você sempre acha uns vídeos tão bons assim.
Beijinhos minha querida e tenha uma excelente semana.